08:13 h. Sábado, 18 de Noviembre de 2017

Xornal Retrincos

Velhos sempre os parques...

Escritor e Poeta

Artur Alonso | 14 de Junio de 2011

Tal como morre de velha, cansa, a mão instável do homem pensa ainda nas frias paredes, onde por primeira vez tateou o sabor da prevalência no tempo. E pensamos nos velhos parques, como a memória daquele para o qual o tempo passado tem um aspecto melhor à olhos de quem foi possuído por ele e por aquelas antigas musicas, aromas, cafés, que nunca mais voltaram a ter requintados encantos.

Tal como morre de velha, cansa, a mão instável do homem pensa ainda nas frias paredes, onde por primeira vez tateou o sabor da prevalência no tempo.

E pensamos nos velhos parques, como a memória daquele para o qual o tempo passado tem um aspecto melhor à olhos de quem foi possuído por ele e por aquelas antigas musicas, aromas, cafés, que nunca mais voltaram a ter requintados encantos.

Pensamos na folha caída do choupo, e nos milhares de outras mais, que vem de distintas arvores a nosso encalço em outono.

Pensamos no centro onde cristalizam em coro, folhas de carvalho, de salgueiro e amaneiro: folhas nodosas da vida já extinguida, e, no entanto vivas na sua velhice.

Sonhamos nestes anteriores parques e alamedas, que já foram; se foram porque tinham o alento a lama fresca pisada pela presa.

Daí que só neles podemos sonhar; e sonhamos, sonhamos contra o insensato cimento, que todo unifica que todo devora mesmo fotogramas que tentáramos guardar no álbum secreto, da casa da avó.

E agora simplesmente serão um arpeje no vento.

E ainda assim seguimos sonhado, seguimos vivendo com a alma instalada no coração do silencio, dos segredos que guardamos e das postais que tesoura a memória, algo velada pelos lamentos novos e vigor de outras épocas.

Mas confiamos sentirmo-nos livres ao recebermos no longe o aroma do jardim, o chilrear dos pássaros de cores diversas, e cantos alegres.

Sentimos-nos confiados de saber, de saberem que os velhos parques de areia, de pedra, não de cimento, realmente deveriam, quanto menos por algum longo tempo, seguir a fazer-nos acreditar na ousadia do eterno.

Gosto, pois dos velhos parques, das velhas sendas comidas ao rio, dos bancos de deitados a sombra das fervenças, do alivio de saber que certos momentos existem e que o momento de serem um só em harmonia com universo, e agora, qualquer momento, diante do rio...

Fujo por tanto da intenção unificadora, transformadora, incentivadora e dissociadora da universalidade do cimento. Da podridão do betão, do dinheiro construtor de misérias. Dos menhinhos sem infância e sonos para compartilhar, no livres parques, nos passeios ocultos do rio...

Só eram precisos os velhos parques, de aromas a flores inesquecíveis, de ventos mansinhos e assas de aves tropicais, dormitando-nos com seus chilreios...

Para nós em cativos ressuscitar à aventura da vida...

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