05:12 h. Domingo, 21 de julio de 2019

A razão pela que escrevemos o Atlas Histórico da Galiza

José Manuel Barbosa | 15 de enero de 2011

Conto número 1: Um Doutor muito importante chamado Doutor Watzlawick conta-nos que num laboratório onde se fazem experimentos com animais, um investigador está tentando fazer um reflexo condicionado com dous ratinhos de laboratório.

Conto número 1:

Um Doutor muito importante chamado Doutor Watzlawick conta-nos que num laboratório onde se fazem experimentos com animais, um investigador está tentando fazer um reflexo condicionado com dous ratinhos de laboratório. Nesse momento entra um homem com uma bata branca e é que uma das ratinhas diz à outra com expressão inteligente: “Olha, vês esse homem com a bata branca? Tenho-o totalmente amestrado, cada vez que baixo esta alavanquinha dá-me de comer”.

Conto número 2

Um senhor muito crente sentia que estava próximo de receber uma luz que lhe ensinasse o caminho a seguir. Todas as noites ao se deitar pedia-lhe a Deus que lhe enviasse um sinal para que lhe dissesse como é que tinha de viver o resto dos seus dias. Estivo assim durante muitos anos, nesse estado quase-místico aguardando um sinal divino.

Mas um dia, dando um passeio por um bosque viu um pequeno cervato deitado no chão, ferido e com uma pata quebrada. Ele ficou a olhá-lo quando repentinamente apareceu um leão. Aquilo deixou o homem com o corpo paralisado e o sangue frio nas suas veias; o leão estava pronto para engolir o pobre cervato. O homem ficou em silêncio com o temor de ver o leão também acima dele. De forma muito surpresiva o leão foi-se achegando ao cervato e em vez de comê-lo começou a lamber-lhe as feridas. Depois deu a volta e apanhou umas folhas húmidas, acercou-lhas ao cervato com a pata para que pudesse beber água e ainda trouxe um bocado de erva para dar-lhe de comer. Inacreditável.

Ao dia seguinte, quando o homem regressou ao lugar, viu que o pequeno cervato ainda estava lá e que o leão atendia a fome e a sede do animalzinho para além de lhe lamber as feridas quando estas lhe doíam. O homem disse: “Este é o sinal que estava a procurar. É muito claro. Deus ocupa-se de prover a quem o necessitar, o único que há de fazer é aguardar e não correr detrás das cousas”. O homem pegou nas suas cousas e foi-se colocar à porta da sua morada a aguardar alguém que lhe trouxesse de comer e de beber. Passaram as horas, os dias e as semanas mas ninguém dava absolutamente nada. Aqueles que por lá passavam olhavam para ele enquanto ele punha expressões de pobre homem morto de fome e sede. Foi assim até que um dia passou-se por ali um outro homem muito sábio que morava naquele lugar ao qual se dirigiu o nosso protagonista dizendo-lhe: “Caro amigo, Deus é que me enganou. Enviou-me um sinal errado para fazer-me ver que as cousas eram dum jeito e na realidade são de outro. Porque me tem feito isto? Eu sou um homem que acredita nele...”

Seguidamente contou-lhe o que lhe acontecera no bosque anteriormente...

O homem sábio ouviu e escutou para depois dizer-lhe: “Eu quero dizer-che algo. Eu sou também um homem que acredita nele. Deus não envia sinais vãos. Ele enviou-che um sinal para que apreendesses”. Mas o homem perguntou: “Porque me abandonou?”

Então o sábio respondeu: “Que fazes aqui tu que és forte e inteligente como um leão e estás pronto para lutar pelas cousas que consideras justas comparando-te com um débil cervato ferido? O teu lugar é procurar as necessidades de quem te precisar e lutar por elas”.

Conclusão

As razões pelas que escrevemos o Atlas:

1. Porque a visão das cousas não é a mesma para todo o mundo. Nós temos a nossa particular forma de ver a realidade presente, passada e futura. Há uma narração dos factos galega; uma forma de ver o mundo desde aqui e portanto uma versão galega de ver a história (conto número 1).

2. Porque não somos um débil cervato ferido. Somos um forte e poderoso leão que pode subverter a ordem “natural” das cousas; podemos lutar em vez de aguardar que nos chova do céu uma ajuda que nem Deus nos vai oferecer. Só nós devemos procurar a nossa ajuda (conto número 2).

3. Só com grandeza da nossa alma e inteligência é que podemos solucionar os nossos problemas.

Atlas Histórico da Galiza

(Dedicado a todos os (que se dizem) galeguistas que vem por olhos não-galegos, que pensam que nos vão chover ajudas do céu e que acreditam que somos débeis como um cervato quando na realidade somos um leão... travestido por quem nos teme)

 

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