05:10 h. Domingo, 21 de julio de 2019

O galego já é oficial na união Europeia

José Manuel Barbosa | 27 de noviembre de 2010

Já há mais de dezasseis anos, em 1994, algumas pessoas da AGAL tivemos possibilidade de conhecer o funcionamento do parlamento europeu e de experimentarmos "in situ" a situação das diferentes línguas comunitárias graças ao convite à nossa Associação feito pela Coligação Galega (C.G.) liderada na altura pelo que foi europarlamentar José Posada.

Já há mais de dezasseis anos, em 1994, algumas pessoas da AGAL tivemos possibilidade de conhecer o funcionamento do parlamento europeu e de experimentarmos "in situ" a situação das diferentes línguas comunitárias graças ao convite à nossa Associação feito pela Coligação Galega (C.G.) liderada na altura pelo que foi europarlamentar José Posada.

Foi no mês de Março e na semana imediatamente anterior à Semana Santa quando um pequeno grupo de representantes da AGAL entre os que figuravam os amigos Jesus Miguel Conde, Carlos Garrido, atual Secretário da Comissão Linguística, Xavier Paz, José Manuel Aldeia, Rosário Fernandes Velho e um que isto vos escreve.

Visitamos Bruxelas e com isto também as instituições europeias, e não vimos surpresa no facto de podermo-nos defender no dia-a-dia na nossa língua. Não pelo facto tópico e folclórico de acharmos galegos por toda a parte -facto que nalgum caso se deu- mas porque o galego é conhecido e reconhecido internacionalmente como uma forma ou variante da língua que a romanística denomina galego-português.

Não são duas línguas, mas uma, o qual nos foi útil para não deixar-nos levar por complexos de nenhum jeito e entendermo-nos na nossa língua com a rapariga responsável do hotel no que moramos aqueles dias, sendo ela belga mas por ser casada com um brasileiro. Também não foi surpresa o sermos atendidos por alguns funcionários do parlamento europeu na língua de Rosália na que se nos dirigiram quando nos ouviram falar entre nós, pensando que éramos portugueses (estou seguro que se souberem que éramos cidadaos do Estado Espanhol e galegos provavelmente dirigir-se-iam a nós em castelhano).

A alguém lhe poderia parecer surpresivo que um companheiro de expedição e representante dum grupo ecologista da Límia, o nosso amigo Manuel Garcia, apresentasse publicamente e no seu galego limião uma informação sobre a concentração parcelar na sua comarca perante o pleno do grupo parlamentar europeu do "Arco Íris", grupo dentro do qual estava o Eurodeputado Posada. Como bem se sabe, havia, e há umas cabinas de tradução simultânea que transpunham a fala do amigo Manel Garcia aos diferentes idiomas dos distintos europarlamentares dos diferentes países que integravam aquele grupo.

Lembro que havia uma porta-voz escocesa, lembro um corso que interveu e algum flamengo... e todos percebiam perfeitamente o que o nosso companheiro expunha porque os funcionários de tradução reconheciam aquilo como uma das línguas oficiais dum Estado membro, neste caso, reconheciam-o como português e faziam o seu labor transladando para inglês, francês, neerlandês, etc...

Tanto na altura como ainda hoje a informação que se verte sobre a situação da nossa língua na Galiza não chega a todos os galegos, pelo que é fácil acreditar que ninguém tivesse nem, ainda hoje, tenha muito conhecimento nem consciência do que é o Informe Killilea, nem das cartas cruzadas entre o europarlamentar Posada e o presidente do Parlamento Egon Klepsch, nas quais se reconhecia o galego implicitamente como língua oficial por sê-lo o português, língua oficial dum dos Estados membros: Portugal.

Essas cartas estão publicadas nas AGÁLIAS dos anos 1993 e 1994 e nelas se toma o assunto por causa da dúvida que alguns funcionários tinham em relação à língua do eurodeputado. Eles diziam que era português com um sotaque que eles não conheciam mas o Senhor Posada clarificou com argumentos históricos e linguísticos que aquilo era a mesma língua de Portugal embora com o sotaque galego das Rias Baixas donde ele era originário. Posteriormente e com a intervenção do europarlamentar irlandês Killilea que reconheceu as variedades linguísticas da U.E. e do próprio presidente do Parlamento reconheceu-se que todas as intervenções do eurodeputado galego foram feitas numa variante da língua conhecida internacionalmente como “português” e portanto recolhidas no diário de sessões da Câmara.

Há um tempo, quando governava o bipartido, víamos nos meios de informação galegos a notícia de a Espanha pedir para o galego o Status de língua oficial dentro da U.E. e não pôde mais do que olhar a notícia franzindo as sobrancelhas. Veremos no futuro a mesma petição para o valenciano ou o andaluz?? Veremos isso para o francês da Bélgica, ou o alemão da Áustria? Veremos também na ONU essa petição para a língua dos norte-americanos diferenciada da dos britânicos?. Evidentemente a proposta não foi aceite porque dum ponto de vista internacional as falas galegas sempre foram reconhecidas como uma das variantes dessa língua ibero-românica ocidental conhecida historicamente como “galego” ou “galego-português” mas dum ponto de vista político conhecida com o nome de “português”.

Ora bem, estou certo que o flamengos da Bélgica não vão pedir algo assim para o flamengo porque já é oficial o neerlandês, língua comum a holandeses e flamengos, nem a haverão de pedir os moldavos no momento em,que entrem na União quando já dentro achem o romeno como língua oficial por ter ser a República de Roménia sócia de pleno direito desde 2007.

Já o eurodeputado Posada em 1994 e em 1999, e posteriormente o Camilo Nogueira desde o 1999 até 2004 fizeram o seu trabalho na nossa língua, gerando mesmo reações à contra de conhecidos políticos antigalegos. Isto faz que tenhamos a necessidade de dizer por se a nossa gente não se tem inteirado, que a Nossa Língua, a língua que Pondal denominou "Língua do grã Camões, fala de Breogão", a língua das Cantigas do único Império peninsular que assim se podia considerar na Idade Média, a língua de Castelão, de Risco, de Carvalho Calero...é já oficial tanto na sua versão lusitana como na sua versão galega, facto este reconhecido pelas instituições comunitárias. Com ela se trabalhou na Europa desde 1986, data na que os países da península Ibérica entraram de pleno direito nesse futuro e autêntico Estado Plurinacional chamado Europa, e com ela trabalharam os deputados galegos bons e generosos que tinham a Galiza na sua mente e no seu coração.

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