08:07 h. Sábado, 18 de Noviembre de 2017

Xornal Retrincos

Liberdade ou Legalidade?

Professor

José Manuel Barbosa | 30 de Agosto de 2011

Faziam uma entrevista aos candidatos à presidência da Câmara Municipal pela cidade da Crunha num programa duma TV privada na campanha eleitoral passada. Eram perguntas simples que deviam ser respondidas em poucos segundos com agilidade e com convencimento. Nelas o público poderia ver e sentir a energia e o espírito de cada um dos candidatos ao se defenderem dialeticamente do bombardeio que se lhes apresentava.

Faziam uma entrevista aos candidatos à presidência da Câmara Municipal pela cidade da Crunha num programa duma TV privada na campanha eleitoral passada. Eram perguntas simples que deviam ser respondidas em poucos segundos com agilidade e com convencimento. Nelas o público poderia ver e sentir a energia e o espírito de cada um dos candidatos ao se defenderem dialeticamente do bombardeio que se lhes apresentava.

Como o nosso labor, ou pelo menos um deles, é o compromisso militante com a língua deste nosso País, reparamos especialmente  numa das perguntas que levava uma importante dose de intencionalidade, nestes últimos tempos em que o apuro por estragar a nossa língua por parte dos poderes públicos é especialmente incisivo, teimoso, malvado e regressivo. A pergunta em questão era: “A Coruña ou La Coruña?”

A resposta de cada um dos candidatos foi diretamente proporcional à capacidade de mobilização do eleitorado usando como instrumento o saber penetrar na mente dos eleitores com maior ou menor dose de demagogia e de encanto formal.

O candidato do PSOE respondeu: “Las dos”; o candidato do PP disse: “La libertad” mas o candidato do BNG (Bloco Nacionalista Galego) saiu com um...: “A Coruña, porque o di a legalidade que ......” e recorrendo a um discurso que o levou a ultrapassar os cinco segundos estipulados para cada candidato em cada resposta acabou perdendo-se na explicação.

Como podemos ver, e sempre falando desde o nosso critério subjetivo, a resposta do candidato do Bloco foi a menos eficaz, já que a lei é a cousa menos popular de todas, a qual pode ser mesmo trocada amanhã. Esse critério legal que hoje se expõe, amanhã pode voltar-se à contra, pois com só dous ou três movimentos administrativos (tomo como exemplo a recente mudança constitucional) a situação do Bloco poderia passar de “defender” essa precária legalidade a fazer que se tivesse que posicionar à contra e ficar em situação marginal.

Por outro lado consideramos muito pobre contrapor a "legalidade" à ideia de “liberdade” exposta pelos outros dous candidatos. Ideia esta, a da Liberdade, que ainda vazia de conteúdo em muitos casos, enche bocas e ouvidos de qualquer votante pouco maduro, como na realidade é qualquer eleitor do nosso País neste momento da história.

Quereríamos ter visto outra atitude mais convencida, mais poderosa e sobretudo uma atitude que soubesse ganhar o voto com uma frase que superasse a demagogia e o populismo totalmente desprovido de conteúdo dos outros dous candidatos, mas estamos totalmente certos de que a debilidade desse conceito de “língua galega” defendido pelo Bloco desde há décadas se corresponde com a sua falta de imaginação para fazer que a nossa língua seja vista pela nossa sociedade como um ativo espiritual, material, inteletual, empresarial, económico, social e político de peso, impossível de apagar e anular, mesmo por aqueles que quereriam a sua total e absoluta desaparição.

Como estamos convencidos de que a língua é algo prioritário, importante, para nós elemento gerador de riqueza, mesmo económica, fiquei tão desiludido por essa resposta do candidato bloqueiro como se me dissesse que preferia a forma “La Coruña”.

Só vendo nessa formação política uma teima sobre um conceito do galego vazio de valor e conteúdo, seguidista da política linguística que está levando à nossa língua à desaparição podemos dar resposta a essa constante perda de apoio que o Bloco vai tendo cada vez que há eleições.

A obsessão de, realmente, introduzir a língua por que sim, porque é “progre”, em vez de expor argumentos que o façam atrativa ao votante, faz que à vontade desgaleguizadora do poder se veja ajudada e potenciada pela ignorância de como mantê-la como elemento de união e de interesse para todos os galegos.

Como sabemos do potencial da nossa língua e ouvimos essa resposta, ficamos pensando que o Bloco como formação política está sendo incapaz de fazer da nossa língua o eixo vertebrador desta nação chamada Galiza.

Gostariamos que à pergunta: “A Coruña ou La Coruña?" tivesse uma resposta como: “A inteligência” ou “A riqueza”, ou “A razão”, ou “ A identidade”... que pudesse contrapesar o poder do demagógico de “La Libertad” ou “Las dos” manifestado por quem realmente quer que desapareça a nossa língua do mapa da Galiza.

E finalmente, que fique dito, que hoje falamos da pouca agilidade, pouca imaginação, pouca força, pouca inteligência e pouco espírito dos bloqueiros...mas outro dia falaremos de se nós preferirmos “A Coruña” ou “Crunha”. Que essa é outra.

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